A Indústria 4.0 está revolucionando o setor industrial e as projeções são de mudanças ainda mais radicais para os próximos anos. Segundo a pesquisa Industry 4.0 Survey 2016, realizada pela Price Waterhouse Coopers (PwC), as empresas do setor industrial preveem que os investimentos em novas tecnologias digitais inteligentes incrementem suas receitas em mais de US$450 bilhões/ano. A pesquisa foi realizada entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, e contou com mais de 2 mil participantes, de 26 países.

O que é Indústria 4.0?

Descrita como a nova era da inteligência industrial, a Indústria 4.0 foca na digitalização de ponta a ponta de todos os recursos físicos da empresa e na integração de ecossistemas digitais com parceiros da cadeia de valor. A implementação destes preceitos possibilita grande precisão na gestão, análise e comunicação de dados. Por conta destes atributos, e da ampla gama de novas tecnologias e soluções oferecidas pelo mercado, os empresários têm observado redução de custos, aumento de eficiência e ganho em receita adicional.

Um exemplo da aplicação da tecnologia inteligente na indústria são máquinas capazes de determinar seu estado de conservação e comunicar a necessidade de manutenção previamente. Outro exemplo é o uso de sensores e chips RFID para auxiliar na organização, transporte e produção.

As soluções para Indústria 4.0 são desenvolvidas tendo como parâmetro os princípios da interoperabilidade, virtualização, descentralização, capacidade em tempo real, orientação a serviço e modularidade. O trabalho é desenvolvido e monitorado por meio de softwares que incorporam conceitos de Internet das Coisas (IoT), Sistemas Ciber-físicos, Computação em Nuvem, Big Data/Analytics, Inteligência Artificial (AI), Robótica avançada e Smart Manufacturing.

A Indústria 4.0 no mundo

Segundo a PwC, as empresas do setor industrial preveem que o investimento em tecnologias digitais incremente suas receitas em US$493 bilhões por ano. Até o momento, elas relatam que o uso de tecnologias digitais proporcionou uma redução de 3,6% de custos, e esperam economizar ainda US$421 bilhões por ano.

Dentre as empresas entrevistadas, 72% espera alcançar níveis avançados de digitalização até 2020. Para atingir estes resultados, os setores industriais planejam investir US$907 bilhões – em torno de 5% das suas receitas. O tempo médio de expectativa de retorno deste investimento é de 2 anos. Os valores serão destinados para a introdução de novas tecnologias digitais (como sensores ou dispositivos de conectividade, softwares e aplicações como sistemas de execução de fabricação) e para o aprimoramento das já utilizadas.

A pesquisa aponta, ainda, que o maior desafio das empresas em relação ao aumento da capacidade analítica é a falta de habilidades e/ou competências nas equipes de trabalho. Isso explica porque 69% dos entrevistados acreditam que o aumento da tecnologia de análise de dados internos e dos níveis de habilidades são muito relevantes. Por isso, as empresas também estão treinando funcionários e implementando as mudanças organizacionais necessárias.

A Indústria 4.0 no Brasil

 Enquanto no cenário global 33% das empresas consideram ter um nível avançado de integração e digitalização, no Brasil apenas 9% se enxergam nessa posição. Contudo, até 2020, 72% das empresas brasileiras pretendem alcançar nível avançado de digitalização. Os participantes da pesquisa acreditam que as áreas mais maduras até lá serão as relacionadas ao acesso de clientes, canais de venda e marketing e modelos de negócios digitais.

Atualmente, apenas 10% das empresas brasileiras investem 8% da sua receita em digitalização, mas, em 5 anos, 21% das entrevistadas pretendem investir o mesmo percentual. Nos próximos 5 anos, 79% das empresas investirão menos de 3% da sua receita anual.

Com estes investimentos, as empresas brasileiras esperam melhoria na eficiência, redução de custos e aumento na receita. A expectativa é de que os ganhos em receita adicional excedam 10% da sua receita anual até 2020. Já em relação à redução de custos, a maioria das empresas espera que superem 10% da receita anual. É interessante observar que, entre as empresas participantes, 31% afirmaram não acreditar que investimentos em digitalização e integração possam trazer um retorno considerável para seus negócios (a média global é 15%).

Em relação a analytics, as empresas brasileiras não demonstraram maturidade. Porém 56% delas acreditam o uso de analytics promova avanços significativos no relacionamento com clientes e na inteligência sobre clientes ao longo do ciclo de vida do produto nos próximos anos. 48% dos empresários reconhecem a importância do uso de dados (e, portanto, sua coleta, processamento e comunicação) para a tomada de decisões. Para as empresas brasileiras, o principal desafio no uso de analytics é a falta de competências e habilidades nas equipes de trabalho. 52% crêem que investir em tecnologia de análise de dados e qualificação interna seja essencial para melhorar a capacidade analítica.

Com o aumento da relevância dos dados, aumenta também a importância da segurança de todos os sistemas e processos, tanto para impedir ataques quanto para responder rapidamente, diminuindo o risco de modificações e perda de dados. Como existem pontos de ataque por todo o ecossistema, a responsabilidade também deve ser compartilhada. Por isso, 77% das empresas brasileiras consideram ERP a melhor plataforma para analytics.

 

As fábricas inteligentes são o futuro da Indústria no Brasil e no mundo. Os próximos anos serão determinantes para adequação do setor às novas tecnologias que vêm surgindo. Como a pesquisa da PwC demonstra, as empresas têm consciência da necessidade de investimentos massivos em tecnologia e pretendem acompanhar as tendências.